Contextualização do tema
A pesquisa TIC Kids Online Brasil indica que crianças brasileiras passam, em média, mais de cinco horas por dia diante de telas de smartphones, tablets e televisores. A exposição começa cada vez mais cedo: bebês de menos de dois anos já assistem a vídeos como rotina de alimentação e sono.
Sociedades médicas como a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas e que, dos dois aos cinco anos, o tempo seja restrito a uma hora diária supervisionada. A realidade está longe disso, e o impacto se manifesta em distúrbios de sono, atrasos de fala, dificuldade de atenção e ansiedade.
O fenômeno está atrelado a transformações da vida urbana — espaços públicos pouco seguros para brincar, jornadas exaustivas de cuidadores, escolarização precoce — que tornam a tela uma 'babá eletrônica' tanto em famílias vulneráveis quanto em famílias de alta renda.
Por que esse tema pode aparecer no ENEM
Educação, saúde e tecnologia são eixos centrais do ENEM. Infância e telas combinam neurociência, desenvolvimento humano, parentalidade e cultura digital, sustentadas por consenso médico, dados oficiais e debate público crescente.
Eixos argumentativos possíveis
1. Telas como babá eletrônica e ausência de redes de apoio
Mostre que a sobrecarga de cuidadores e a falta de espaços públicos seguros empurram famílias ao uso intensivo de telas.
2. Impactos cognitivos, motores e emocionais documentados
Argumente que pesquisas mostram correlação entre uso excessivo e atrasos de linguagem, déficit de atenção e sedentarismo infantil.
3. Necessidade de letramento parental e regulação de plataformas
Defenda que famílias precisam de informação qualificada e que plataformas devem ter responsabilidade por conteúdo voltado a crianças.
Repertórios socioculturais
Sociedade Brasileira de Pediatria — Manual sobre Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital
Documento oficial com diretrizes médicas sobre tempo de tela.
Como usar: Cite como respaldo científico para sustentar limites etários.
ECA (Lei 8.069/1990)
Estatuto que assegura prioridade absoluta à proteção integral da criança.
Como usar: Use para fundamentar dever do Estado, da família e da sociedade na proteção infantil.
Filósofo Byung-Chul Han (A sociedade do cansaço)
Analisa hiperestimulação e cansaço crônico na cultura digital.
Como usar: Conecte com o esgotamento sensorial e atencional já presente na infância.
Competências ENEM trabalhadas
Competência 1 — Norma-padrão
Cuide de termos técnicos (cognição, neurodesenvolvimento) e da regência verbal em construções como 'expor a' / 'expor à'.
Competência 2 — Compreensão da proposta e repertório
Articule infância, saúde e cultura digital — não reduza o tema a 'tirar o celular da criança'.
Competência 3 — Argumentação
Construa relação entre causas (rotina urbana), efeitos (atrasos cognitivos) e respostas (políticas públicas).
Competência 4 — Coesão
Use conectores de causa e finalidade para articular argumento médico-social.
Competência 5 — Proposta de intervenção
Cite Ministério da Saúde, MEC e plataformas como agentes, respeitando autonomia familiar.
Propostas de intervenção possíveis
Proposta 1
Agente: Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Pediatria
Ação: Lançar campanha nacional permanente sobre uso saudável de telas na infância
Meio: Por meio de UBS, escolas e plataformas de comunicação
Finalidade: A fim de fornecer informação qualificada a famílias e cuidadores
Detalhamento: Com material gráfico acessível, oficinas de educação parental e protocolo de orientação em consultas pediátricas.
Proposta 2
Agente: Ministério da Educação, em parceria com municípios
Ação: Ampliar oferta de espaços públicos seguros e atividades coletivas para a primeira infância
Meio: Por meio de praças, brinquedotecas, bibliotecas e creches em tempo integral
Finalidade: A fim de oferecer alternativas concretas ao uso intensivo de telas
Detalhamento: Com profissionais qualificados, programação cultural gratuita e horários compatíveis com jornadas familiares.
Erros comuns ao escrever sobre este tema
- Demonizar tecnologia em vez de defender uso adequado.
- Culpar exclusivamente as famílias, ignorando contexto urbano e social.
- Generalizar 'crianças' sem distinguir faixas etárias.
- Propor 'proibir celulares' sem considerar viabilidade.
- Esquecer o papel das plataformas e da publicidade infantil.
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Perguntas Frequentes
O que a ciência diz sobre o uso de telas na primeira infância?
A OMS recomenda que crianças menores de 1 ano não tenham exposição a telas, e que crianças de 1 a 4 anos tenham no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão adulta. Estudos mostram que o uso excessivo impacta negativamente o desenvolvimento da linguagem, atenção e habilidades socioemocionais.
Como o uso de telas afeta a pré-alfabetização?
O uso excessivo de telas pode substituir interações fundamentais para a alfabetização, como a leitura em voz alta, a contação de histórias e o brincar simbólico. A linguagem se desenvolve por meio de interações humanas, não de telas — mesmo com aplicativos educativos.
Que propostas de intervenção caber neste tema?
Proponha: campanhas de orientação às famílias sobre uso saudável de tecnologia, regulamentação da publicidade de aplicativos infantis, formação de professores da educação infantil para lidar com o tema, e incentivo à criação de espaços de brincar físico.
Como funciona a correção gratuita da E-Redação para este tema?
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