Contextualização do tema
O modelo agrícola dominante no Brasil é fortemente baseado em monoculturas voltadas à exportação — soja, milho, cana, café e algodão. Apesar do volume produzido e do peso do agronegócio na economia, o país convive com mais de 33 milhões de pessoas em situação de fome, segundo a Rede Penssan.
A monocultura concentra terra, capital e tecnologia em poucas mãos, deslocando comunidades, comprimindo a agricultura familiar — responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro — e reduzindo a diversidade de cultivos. Quando a produção alimentar nacional depende de poucas commodities, qualquer crise climática ou de mercado vira crise alimentar.
Insegurança alimentar e escassez convivem com fartura nas estatísticas. O paradoxo se explica: produzimos muito do que se exporta e pouco do que se come, em um modelo que prioriza divisas sobre dieta, lucro sobre nutrição.
Por que esse tema pode aparecer no ENEM
Alimentação, agronegócio e desigualdade são temas centrais e atuais. Monocultura e insegurança alimentar combinam economia, meio ambiente, saúde e direitos humanos — articulação típica das propostas mais valorizadas pelo ENEM.
Eixos argumentativos possíveis
1. Concentração fundiária como causa estrutural da fome
Argumente que a manutenção de latifúndios voltados à exportação reduz a oferta de alimentos básicos no mercado interno.
2. Vulnerabilidade climática das monoculturas
Mostre que sistemas baseados em uma única espécie são frágeis frente a pragas, secas e enchentes.
3. Agricultura familiar e agroecologia como caminhos para segurança alimentar
Defenda fortalecimento de pequenos produtores como estratégia central para garantir alimentos diversos, frescos e acessíveis.
Repertórios socioculturais
Pesquisa Olhe para a Fome (Rede Penssan)
Inquérito nacional que mapeia insegurança alimentar no Brasil.
Como usar: Cite dados oficiais para sustentar diagnóstico contemporâneo.
Sociólogo Josué de Castro (Geografia da Fome)
Obra clássica que liga estrutura agrária e fome no Brasil.
Como usar: Use como referência teórica histórica da relação entre concentração de terra e desnutrição.
Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Decreto 7.794/2012)
Marco legal que reconhece a agroecologia como estratégia pública.
Como usar: Cite para sustentar que existe respaldo institucional, mas execução é desigual.
Competências ENEM trabalhadas
Competência 1 — Norma-padrão
Cuide do uso de termos técnicos (commodities, agroecologia, agricultura familiar) e da concordância em construções estatísticas.
Competência 2 — Compreensão da proposta e repertório
Articule monocultura, insegurança alimentar e escassez; vá além de 'falta de comida'.
Competência 3 — Argumentação
Encadeie causas (modelo agroexportador), consequências (fome, vulnerabilidade) e respostas (agroecologia).
Competência 4 — Coesão
Use conectores de oposição para contrastar abundância produtiva e fome estrutural.
Competência 5 — Proposta de intervenção
Cite MDA, Conab e municípios como agentes, sempre respeitando direitos das populações rurais.
Propostas de intervenção possíveis
Proposta 1
Agente: Ministério do Desenvolvimento Agrário em parceria com a Conab
Ação: Fortalecer políticas de compras públicas de alimentos da agricultura familiar (PAA e PNAE)
Meio: Por meio da ampliação de orçamento, simplificação de adesão e priorização de produtos agroecológicos
Finalidade: A fim de garantir mercado estável a pequenos produtores e diversificar a oferta de alimentos
Detalhamento: Com prioridade a mulheres rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais.
Proposta 2
Agente: INCRA em diálogo com movimentos sociais do campo
Ação: Retomar programa estruturante de reforma agrária com viés agroecológico
Meio: Por meio de assentamentos com infraestrutura, crédito e assistência técnica continuada
Finalidade: A fim de reduzir a concentração fundiária e ampliar a produção de alimentos diversos para o mercado interno
Detalhamento: Com energia, transporte, escola e saúde nos assentamentos para garantir permanência digna no campo.
Erros comuns ao escrever sobre este tema
- Demonizar todo o agronegócio sem distinguir modelos produtivos.
- Confundir agricultura familiar com pequenos negócios urbanos.
- Esquecer que insegurança alimentar tem múltiplas dimensões.
- Propor 'plantar mais' sem considerar concentração fundiária.
- Ignorar dados oficiais sobre fome no país.
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Perguntas Frequentes
O que é monocultura e quais são seus riscos?
Monocultura é o cultivo de uma única espécie em grandes extensões de terra. Os riscos incluem: vulnerabilidade a pragas e doenças (quando uma praga atinge a monocultura, não há outras culturas para compensar), esgotamento do solo, uso intensivo de agrotóxicos e dependência de poucas commodities.
Como a monocultura ameaça a segurança alimentar?
A concentração da produção agrícola em commodities de exportação (soja, milho, cana) em detrimento de alimentos básicos (feijão, mandioca, hortaliças) fragiliza a disponibilidade local de alimentos, aumenta os preços e reduz a soberania alimentar do país.
Que propostas de intervenção caber neste tema?
Proponha: incentivos à agricultura familiar e à agroecologia, diversificação das culturas subsidiadas pelo governo, proteção de sementes crioulas, fortalecimento dos mercados locais de alimentos e educação sobre alimentação saudável e biodiversidade agrícola.
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